DECLARAÇÃO de FÉ e JULGAMENTO de Crentes Batizados
“Estai sempre preparados”, diz o Apóstolo Pedro, “para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:15). Por isso, é nosso dever responder, em mansidão e amor, àquelas pessoas piedosas que desejam ser mais plenamente informadas de nosso julgamento sobre a religião e os caminhos de nosso Deus: A estes, portanto, que manifestaram o desejo de serem informados, eu assim res-pondo:
Em um livro recentemente reimpresso, intitulado, A Confissão de Fé de Várias Congrega-ções ou Igrejas de Cristo em Londres, etc., há uma clara e sincera expressão de nosso julgamento sobre as questões nele mencionadas, em 52 Artigos: E se o nosso julgamento sobre algumas particularidades, em que parecemos, ou somos supostos, divergir de alguns outros, não aparece claro o suficiente naquela Confissão, espero que algumas sejam mais esclarecidas neste seguinte Apêndice.
I. Nós cremos que o castigo devido a Adão por sua primeira rebelião, e devido a todos os homens por seus pecados em Adão, e por todos os seus pecados contra a lei, não era en-tendido [como sendo infligido] sobre toda a pessoa do homem no pó ou sepultura eterna-mente, [estando os homens] sem vida ou sentimento; pois, então, a punição do homem que pecou não seria diferente da punição do animal irracional, que não pecou. Mas o castigo devido ao homem, como acima referido, era “indignação e ira, tribulação e angústia”, e
estes sendo eternos, e, consequentemente, a redenção que temos por meio de Cristo, da maldição da lei, é uma redenção do sofrimento e tormento eternos. Isso nós aprendemos com essas passagens das Escrituras comparadas juntamente: Romanos 2:8-9; Judas 1:7; Gálatas 3:13; Hebreus 9:12.
II. Cremos que a eternidade do castigo dos vasos da ira é uma eternidade absoluta, não conhecendo nenhum fim; bem como a eternidade da vida dos santos (Mateus 25:46). Isso nós sustentamos contra aqueles que afirmam que todos os homens serão salvos por fim.
III. Embora todo o poder da criatura para agir seja a partir do Criador, e haja uma provi-dência de Deus sempre estendida a toda a criatura, e para cada ação da criatura; ainda as-sim, nós julgamos que a corrupção final da criatura, e a pecaminosidade da ação da criatu-ra, seja a partir da criatura, e não de Deus, e que é um grande pecado dizer que Deus é o autor do pecado (Eclesiastes 7:29; Habacuque 1:13; Tiago 1:13-15; 1 Coríntios 14:33; 1 João 2:16).
Quanto à passagem que é aqui objetada contra nós, ou seja, Amós 3:6: “Sucederá algum mal na cidade...”, nós concebemos que seja tanto para ser entendida de acordo com a últi-ma tradução na margem, “Sucederá algum mal na cidade, sem que o Senhor faça algo”, ou de outra forma, deve ser entendida como apenas sobre o mal da punição, e não o mal do pecado.
IV. Nós cremos que somente creem, ou podem crer em Jesus Cristo, aqueles a quem é concedido crer nEle por uma obra especial, graciosa e poderosa do Seu Espírito, e que isso é (e será) concedido aos eleitos no tempo designado por Deus para a sua chamada eficaz; e para ninguém, a não ser os eleitos (João 6:64-65; Filipenses 1:29; Jeremias 31:33-34; Ezequiel 36:26; Romanos 8:29-30; João 10:26). Isso nós sustentamos contra aqueles que afirmam um livre-arbítrio e capacidade suficiente em um homem para crer; e negam a eleição.
V. Nós afirmamos que, assim como Jesus Cristo nunca teve a intenção de dar a remissão dos pecados e a vida eterna para qualquer, a não ser para as Suas ovelhas (João 10:15; 17:2; Efésios 5:25-27; Apocalipse 5:9); assim somente estas ovelhas têm os seus pecados lavados no sangue de Cristo: Os vasos da ira, como eles não são do número das ovelhas de Cristo, nem alguma vez creem nEle, assim, eles não têm o sangue de Cristo aspergido sobre eles, nem são participantes dEle. E, portanto, têm todos os seus pecados ainda sobre eles, e não são salvos por Cristo de qualquer um deles, sob consideração alguma; mas de-vem estar sob o peso intolerável dos seus pecados eternamente. A verdade disso evidencia-
se a nós pela luz destas Escrituras em comparação, juntamente: Hebreus 12:24; 1 Pedro 1:2; Hebreus 3:14; Mateus 7:23; Efésios 5:6; 1 Timóteo 1:9; João 8:24.
VI. Embora alguns dos nossos adversários afirmam que por esta doutrina nós não deixamos nenhum Evangelho a ser pregado aos pecadores para a sua conversão; ainda assim, pela bondade de Deus nós entendemos e pregamos este precioso Evangelho aos pecadores: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira (ou seja, foi tão amoroso para com a huma-nidade) que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16); “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores” (1 Timóteo 1:15), ou seja, todos os pecadores (não importa quão vis ou pecadores sejam) não somente quanto aos que já creem, mas também aos que futuramente creram nEle para a vida eterna (1 Timóteo 1:16), e que “a este [Cristo] dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele creem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” (Atos 10:43). E isso é chamado de “A palavra do Evangelho” (Atos 15:7). Este é o Evangelho que Cristo e Seus apóstolos prega-ram, o qual temos recebido, e pelo qual fomos convertidos a Cristo. E desejamos nos impor-tar com o que Paulo diz em Gálatas 1:9: “Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema”.
VII. Embora nós confessamos que nenhum homem alcança a fé por sua própria boa vonta-de (João 1:13), ainda assim, nós julgamos e sabemos que o Espírito de Deus não obriga um homem a crer contra a sua vontade, mas poderosa e docemente cria no homem um coração novo, e assim faz com que ele creia e obedeça voluntariamente (Ezequiel 36:26-27; Salmos 110:3). Deus assim opera em nós tanto o querer quanto o efetuar, segundo a Sua boa vontade (Filipenses 2:13).
VIII. Embora todos os nossos esforços para a vida sejam em vão, irregulares, e não aceitos por Deus — Jesus Cristo sendo a nossa vida, o Qual é livremente dado a nós por Deus — ainda assim cremos e sabemos que sendo feitos participantes de Jesus Cristo, nós produzi-mos, e produziremos, e deveremos produzir ainda, por meio dEle, e caminhando nEle, o fruto das boas obras, servindo a Deus (em verdadeira obediência, amor e gratidão a Ele) em santidade e justiça, sendo “feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2:10; Lucas 1:74-75).
IX. Embora nós cremos que em Cristo, não estejamos debaixo da lei, mas debaixo da graça (Romanos 6:14); no entanto, sabemos que não estamos sem lei, ou deixados a viver sem uma regra, “não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo” (1 Coríntios 9:21). O Evangelho de Jesus Cristo é uma lei ou regra comandada a nós; pelo que, e em obe-diência a ele, somos ensinados a viver sóbria, justa e piedosamente neste mundo (Tito
2:11-12); as instruções de Cristo em Sua palavra evangélica guiam-nos neste sóbrio, justo e piedoso caminhar (1 Timóteo 1:10-11).
X. Embora nós não sejamos agora enviados à lei como ela esteve na mão de Moisés, para sermos comandados desta forma, ainda assim, Cristo no Seu Evangelho ensina-nos e ordena-nos a caminhar no mesmo caminho de justiça e santidade que Deus ordenou por meio de Moisés que os israelitas caminhassem; todos os mandamentos da Segunda Tábua ainda sendo entregues a nós por Cristo, e todos os mandamentos da Primeira Tábua também (no tocante à vida e espírito deles), neste epítome ou breve resumo, “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração...” (Mateus 22:37-40; Romanos 13:8-10).
XI. Embora nenhum pecado seja imputado àqueles que creem em Cristo, nem qualquer pecado total ou plenamente reine sobre eles, ou neles, ainda assim, neles “a carne cobiça contra o Espírito” (Gálatas 5:17); e “todos tropeçamos em muitas coisas” (Tiago 3:2), aqui o apóstolo fala de ofensas que um crente pode tomar conhecimento em um outro. Assim, “na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque” (Ecle-siastes 7:20), e “se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 João 1:8).
XII. Embora não haja nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus, ainda as-sim eles são ensinados, e isso efetivamente, a se envergonharem de seus pecados (Roma-nos 6:21), e a entristecerem-se por eles de modo piedoso (2 Coríntios 7:9-11). Sim, a abo-minarem-se a si mesmos (Ezequiel 36:31). Porque este pecado é um mal e uma coisa imun-da, e em sua própria natureza tende a provocar e desonrar a Deus, sendo desobediência contra Deus, e algo a que o Deus santíssimo Se declara contrário e abomina; de modo que nada, senão o sangue de Cristo pode nos purificar de nossos pecados, e nos reconciliar com Deus, Quem foi ofendido pelo pecado. Portanto, os santos tanto são, e devem ser entristecidos, e devem examinar a si mesmos, porque pecaram contra o seu Deus santo e glorioso, e misericordioso e amoroso Pai (1 Coríntios 11:31).
XIII. Embora nada esteja oculto a Deus, e Deus não imputa iniquidade a qualquer crente, ainda assim, devemos confessar nossos pecados a Deus, e suplicar-Lhe que nos trate segundo a Sua própria promessa; ou seja, ainda ser gracioso e misericordioso para conos-co, embora tenhamos pecado contra Ele, não irando-Se contra nós, nem censurando-nos, nem deixando de fazer o bem a nós, porque temos pecado (Isaías 54:9; Hebreus 8:12; Da-niel 9:18-20; Salmos 25:7; 32:5; Ezequiel 36:37; Tiago 5:1). Assim, de acordo com a pres-crição de Cristo, nós oramos a Deus para que nos perdoe os pecados (Lucas 11:4); mas ainda olhamos para Deus como nosso Pai (Lucas 11:2); e, consequentemente, para nós mesmos como Seus filhos; e assim não sem justificação, ou sob a ira, mas lavados de todos os nossos pecados no sangue de Cristo. Em tal confissão e petições mostramos obediência
a Deus, e nela também exercemos fé em Deus, e arrependimento ou tristeza segundo Deus pelo pecado, pelo que vemos e confessamos que de nossa parte, nós temos merecido ira.
XIV. Embora aqueles que realmente uma vez foram enxertados em Cristo, estarão certa-mente “mediante a fé... guardados na virtude de Deus para a salvação” (1 Pedro 1:5); ainda assim, eles devem guardarem-se “de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza” (2 Pedro 3:17). Eles devem, portan-to, buscar o apoio contínuo da parte de Deus. Sim, eles devem buscar a mão de Deus (em oração e no correto uso e estudo da Sua Palavra, e no uso correto de Suas ordenanças), não apenas para continuidade, mas também para o crescimento na graça (2 Pedro 3:18). Em primeiro lugar, porque este é o mandamento de Deus. Em segundo lugar, porque Deus, Quem os firmará, o fará desta forma, ou seja, dando-lhes a graça de serem obediente a este comando dEle, e abençoando-os nesta obediência.
XV. Assim como entendemos que toda a nossa salvação nos foi dada a partir do Pai por meio de Jesus Cristo e por amor a Ele; assim, semelhantemente, o Pai dar a Jesus Cristo por nós, e para nós, e assim, salvar-nos nEle, e por amor dEle, é um ato e manifestação daquele Seu amor livre por nós, o qual estava nEle mesmo desde toda a eternidade (João 17:23; Efésios 1:4-5).
XVI. Embora um verdadeiro crente, seja batizado ou não batizado, esteja em estado de salvação, e certamente será salvo, ainda assim, em obediência ao mandamento de Cristo, cada crente deve desejar o Batismo, e entregar a si mesmo para ser batizado de acordo com a regra de Cristo em Sua Palavra. E onde esta obediência é cumprida em fé, ali Cristo faz desta Sua ordenança um meio de benefício indizível para a alma crente (Atos 2:38; 22:16; Romanos 6:3-4; 1 Pedro 3:21). E um verdadeiro crente que aqui vê o comando de Cristo repousando sobre si, não pode permitir-se desobedecê-lo (Atos 24:16).
XVII. Crentes batizados devem concordar e unir-se em uma profissão constante da mesma doutrina do Evangelho, e em obediência professada a ele, e também em comunhão, e no partir do pão e nas orações. (Atos 2:42). E uma companhia de crentes batizados assim con-cordando e unidos, são uma igreja ou congregação de Cristo (Atos 2:47).
XVIII. Tanto a pregação do Evangelho, para a conversão dos pecadores, e edificação da-queles que são convertidos; quanto o uso correto do Batismo e da Ceia do Senhor, devem continuar até o fim do mundo (Mateus 28:19-20; 1 Coríntios 11:26).
XIX. Um discípulo dotado e capacitado pelo Espírito de Cristo para pregar o Evangelho, e movido a este serviço, pelo mesmo Espírito, trazendo para o íntimo de sua alma o comando de Cristo em Sua Palavra para a realização desta obra, é um homem autorizado e enviado
por Cristo a pregar o Evangelho (veja Lucas 19:12, etc., Marcos 16:15 e Mateus 28:19 em comparação com Atos 8:4, Filipenses 1:14-15; João 17; 20). E os discípulos dotados que assim pregam a Jesus Cristo, o Qual veio na carne, devem ser vistos como homens envia-dos e dados pelo Senhor (1 João 4:2; Romanos 10:15; Efésios 4:11-13). E os que são con-vertidos da incredulidade e falsa adoração, e assim trazidos à comunhão da igreja por tais pregadores, de acordo com a vontade de Cristo, são um selo de seu ministério (1 Coríntios 9:2). E tais pregadores do Evangelho não só podem licitamente administrar o Batismo aos crentes, e orientar a ação da igreja no uso da Ceia (Mateus 28:19; Atos 8:5-12; 1 Coríntios 10:16), mas também podem convocar as igrejas, e aconselhá-las a escolher homens aptos para oficiais, e podem estabelecer tais oficiais assim escolhidos por uma igreja, nas posi-ções ou ofícios (de ancião ou diácono), para a qual eles são escolhidos pela imposição das mãos e oração (Atos 6:3-6; 14:23; Tito 1:5).
XX. Embora o direito de um crente à participação na Ceia do Senhor flua imediatamente de Jesus Cristo apreendido e recebido pela fé, ainda assim, na medida em que todas as coisas devem ser feitas não somente com decência, mas também com ordem (1 Coríntios 14:40); e a Palavra indica essa ordem, que os discípulos devem ser batizados (Mateus 28:19; Atos 2:38), e, em seguida, ser ensinados a observar todas as coisas (ou seja, todas as outras coisas) que Cristo ordenou aos Apóstolos (Mateus 28:20) e, conformemente, os Apóstolos primeiro batizavam os discípulos, e, depois, os admitiam à participação na Ceia (Atos 2:41-42); nós, portanto, não admitimos que ninguém participe da Ceia, nem comungue com qual-quer um no uso desta ordenança, senão os discípulos que uma vez foram biblicamente ba-tizados [imersos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo — N. do T.], a menos que tenhamos comunhão com eles contrariando a ordem.
XXI. Embora nós saibamos que em algumas coisas nós ainda somos muito ignorantes, e em todas as coisas conhecemos apenas em parte, e, portanto, esperamos mais luz da parte de Deus, ainda assim, nós cremos que devemos em nossa prática obedecer, e servir, e glorificar a Deus no uso daquela luz que Ele nos concedeu; e não negligenciar o bom uso daquela luz que Deus já nos deu, sob o pretexto de esperar por mais (1 Coríntios 13:9; Atos 18:25).
XXII. Assim como Cristo não nos ensina, nem permite que sejamos sem afeição natural, ou antissociais (veja Romanos 1:31); assim o fato de sermos feitos participantes de Cristo não nos desobriga dos deveres de nossas relações. Servos fiéis devem executar os deveres de servos para com seus senhores, embora descrentes (1 Timóteo 6:1). Assim, os filhos cren-tes devem cumprir os deveres de filhos em relação aos pais (Colossenses 3:20); esposas crentes, os deveres de esposas em relação aos seus maridos (1 Pedro 3:1); e súditos crentes devem ser sujeitos aos governadores e autoridades, e obedientes aos magistrados
(Romanos 13:1, etc.; Tito 3:1; 1 Pedro 2:13-15). Todavia, eles ainda devem lembrar-se que seu temor a Deus não deve ser negligenciado pelo preceito de homens (Isaías 29:13); que importa que obedeçam antes a Deus, do que aos homens (Atos 5:29); e que a submissão que deve ser dada aos homens, deve ser prestada a eles por amor ao Senhor (1 Pedro 2:14). Assim, concluo com as palavras do Apóstolo (em 2 Timóteo 2:7) com pequena variação, mas não mal aplicada: “Considera o que digo, e o Senhor te dê entendimento em tudo”.
Finis.
Soli Deo Gloria!
Tradução: Site Estandarte de Cristo. Licença: Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International Public License.