Catecismo Ortodoxo de Hercules Collins

Lição 26 - O batismo

Sobre o Batismo

Lição 26

Pergunta 69: O que é o batismo?

Resposta: O batismo é imersão ou mergulho da pessoa em água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, a ser realizado por aqueles que são devidamente qualificados por Cristo.1

1 Mateus 3:16; João 3:23; Atos 8:38, 39; Romanos 6:4.

Pergunta 70: Quem são os sujeitos apropriados para essa ordenança?

Resposta: Aqueles que realmente professam o arrependimento para com Deus, a fé em nosso Senhor Jesus Cristo e a obediência a ele.1

1 Atos 2:38, 8:36-37

Pergunta 71: Bebês devem ser batizados também?

Resposta: Não, pois não temos preceito e nem exemplo para essa prática em todo o Livro de Deus.

Pergunta 72: As Escrituras proíbem o batismo de infantes?

Resposta: Sim, pois é suficiente que a Palavra de Deus ordene o batismo de crentes, a menos que nos tornemos mais sábios do que o que está escrito. Nadabe e Abiú não foram proibidos de oferecer fogo estranho, mas ao fazê-lo, provocaram a ira de Deus, porque eles foram ordenados a tomar fogo do altar.1

1 Mateus 28:18-19; Marcos 16:16; Levítico 9:24, 10:16

Pergunta 73: Agora, sob a dispensação do Evangelho, os filhos infantes dos crentes podem ser batizados, uma vez que os infantes descendentes de Abraão foram circuncidados sob a dispensação da Lei?

Resposta: Não. Abraão recebeu uma ordem direta de Deus para circuncidar seus descendentes infantes, mas os crentes não têm nenhum mandamento para batizar seus filhos infantes sob a dispensação do Evangelho.1

1 Gênesis 17:9-12

Pergunta 74: Se os infantes, filhos de crentes, estão no Pacto da Graça com os pais, como alguns dizem, por que eles não podem ser batizados sob o Evangelho, assim como os infantes descendentes de Abraão foram circuncidados nos termos da Lei?

Resposta: Por, pelo menos, cinco considerações:

1. Se, ao dizer que os infantes, filhos de crentes, estão no Pacto da Graça, eles intencionam o Pacto da Graça de modo absoluto, então nenhum dos infantes, filhos de crentes, poderiam total e finalmente sair do Pacto da Graça, antes todos deveriam ser salvos. Ou,1

1 Jeremias 32:38-40; João 10:28

2. Se, ao dizer que os infantes, filhos de crentes, estão no Pacto da Graça com os pais, a intenção for que eles estão no Pacto da Graça de forma condicional — sob a consideração de que, quando chegarem à idade madura, pela verdadeira fé, amor e santidade de vida, eles tomem posse do Pacto da Graça de Deus, e então obtenham os privilégios dele —, então, se for esse o sentido que eles atribuem, eu pergunto: que verdadeiro privilégio espiritual os infantes, filhos de crentes, têm a mais do que os infantes, filhos dos incrédulos, se esses também viverem até os anos de sua maturidade e, então, pela verdadeira fé e amor, tomarem posse do Pacto de Deus? Se esse fosse o caso, o selo do Pacto não pertenceria tanto aos filhos de incrédulos quanto aos filhos de crentes? Tanto mais quando vemos que, por um lado, alguns filhos de incrédulos se apoderam do Pacto de Deus e, por outro, alguns filhos de crentes, não;2 e que isso ocorre frequentemente, para a tristeza de muitos pais piedosos.

2 Isaías 56:3-8; Atos 10:34-35; João 3:16

3. Além disso, suponhamos que todos os infantes, filhos de crentes, estejam absolutamente no Pacto da Graça; mesmo então os crentes sob a dispensação do Evangelho não deveriam batizar seus filhos infantes mais do que Ló tinha um mandamento para circuncidar a si mesmo ou seus filhos infantes, embora ele fosse um parente próximo de Abraão, fosse um crente e também fosse um participante do Pacto da Graça, pois a circuncisão foi limitada a Abraão e à sua família. Outrossim, para seguirmos coerentemente essa mesma regra, nós deveríamos trazer os infantes para a mesa do Senhor, visto que as mesmas qualifica-ções são requeridas3 tanto para uma administração apropriada do batismo quanto da ceia do Senhor.

3 Atos 2:41-42

4. Devemos saber que a aliança feita com Abraão possuía duas partes: Primeiro, uma parte espiritual, que consistia na promessa de Deus de ser um Deus para Abraão4 e para todos os seus descendentes espirituais de uma forma especial,5 quer fossem eles circuncidados ou incircuncidados, contanto que fossem crentes como Abraão, o pai dos que creem. Isso foi representado por Deus haver aceitado como seu povo aqueles que não eram descendentes físicos6 de Abraão, mas descendentes espirituais, por meio de Jesus Cristo, a saber, os gentios, os crentes incircuncisos, que têm a sua fé imputada como justiça, como a fé de Abraão lhe foi imputada como justiça antes dele haver sido circuncidado.7

4 Gênesis 17:19, 21; Gênesis 21:10; Gálatas 4:30

5 Atos 2:39; Romanos 9:7-8 etc.

6 Gálatas 3:16, 28-29

7 Romanos 4:9-14

5. A promessa da segunda parte da aliança feita com Abraão consistia em bens temporais: Então, Deus prometeu que a descendência de Abraão possuiria a terra de Canaã,8 e teria abundância de bênçãos exteriores, e selou essa promessa pela circuncisão. Isso também era uma marca distintiva de que os judeus eram o povo de Deus dentre todas as nações dos gentios, os quais ainda não eram os descendentes espirituais de Abraão. Entretanto, quando os gentios vieram a crer, e, pela fé, tornaram-se o povo de Deus tanto quanto os judeus o eram, então,9 a circuncisão, aquela marca distintiva, cessou. Agora, a marca distintiva dos filhos de Deus é a fé em Cristo e a circuncisão do coração. Seja qual for a razão dada para que os filhos dos crentes sejam batizados, em primeiro lugar, seja por serem filhos dos crentes; ou, em segundo lugar, por estarem no Pacto; ou, em terceiro lugar, que os infantes, descendentes de Abraão, que foi um crente, foram circuncidados; tudo isso, como você pode ver, de nada aproveita, pois a circuncisão foi limitada à família de Abraão e todos os outros, mesmo que fossem crentes, foram excluídos. A circuncisão também foi limitada a um determinado dia, ao oitavo dia, e não importava que motivo fosse alegado, ela não deveria ser feita antes ou depois. Além disso, a circuncisão se limitava a homens e não incluía as meninas; se o batismo substituiu a circuncisão e é o selo da Aliança sob o Evangelho, como a circuncisão o era sob a Lei, ninguém, senão os homens deveriam ser batizados, porque ninguém, senão os homens foram circuncidados. Mas, assim como a Lei regulamentou a circuncisão, agora o Evangelho regulamenta o batismo e isso depende exclusivamente da vontade do Legislador, com relação a que tempo, a que pessoas e sob quais termos o batismo deve ser administrado. Faremos bem, então, em ouvir o que está declarado na Escritura, especialmente em Atos 3:22.

8 Gênesis 15:18; 17: 8-11; 12:6-7; 13:15-17; 15:16

9 João 1:12; Romanos 2:28-29; Filipenses 3:3; Gálatas 3:26-28