Confissão de Augsburgo

Artigo 16: da ordem política e do governo civil

ARTIGO 16: DA ORDEM POLÍTICA(42) E DO GOVERNO CIVIL

Da ordem política e do governo civil se ensina que toda autoridade no mundo e todos os governos e leis ordenados são ordenações boas, criadas e instituídas por Deus, e que cristãos podem, sem pecado, ocupar o cargo de autoridade, de príncipe e de juiz, proferir sentença e julgar segundo as leis imperiais e outras leis em vigor, punir malfeitores com a espada, fazer guerras justas, combater, comprar e vender, fazer juramentos requeridos,(43) possuir propriedade, casar, etc.

Aqui são condenados os anabatistas, os quais ensinam que nenhuma das coisas supramencionadas é cristã.

Condenam-se, outrossim, aqueles que ensinam ser perfeição cristã abandonar fisicamente casa e lar, mulher e filhos, e renunciar as coisas citadas, quando o fato é que apenas verdadeiro temor de Deus e verdadeira fé constituem a perfeição autêntica. Pois o evangelho não ensina uma forma de vida e justiça exteriores, temporais, senão uma interior e eterna vida e justiça do coração,(44) e não abole o governo civil, a ordem política e o casamento, querendo, ao contrário, que se guarde tudo isso como genuína ordem divina e que cada qual, de acordo com sua vocação, mostre, em tais ordenações, amor cristão e obras verdadeiramente boas. Por isso os cristãos têm o dever de estar sujeitos à autoridade e de obedecer-lhe aos mandamentos e leis em tudo o que não envolva pecado. Porque se não é possível obedecer à ordem da autoridade sem pecar, mais importa obedecer a Deus do que aos homens. Atos 5.(45)

42. Polizei. Aqui no sentido de Staatsordnung, politeia (cf. BSLK, p. 70, nota 3) ou Staatsverwaltnung.

43. Aufgelegte Eide Tun. Texto latino: iurare postulantibus magistratibus.

44. Max Keller -Hüschemenger (Die Augsburgische Konfession, p. 16), adotando uma variante do manuscrito de Espalatino (cf. BSLK, p. 71, aparato crítico), entendem a parte que vai de “quanto o fato é” até “justiça do coração” como razões atribuídas aos adversários condenados aqui pela CA. Isso os obriga a transformar um “dann” em “und” e um “und” em “aber”.

45. At 5.29.