VI. Nós estamos de acordo como segue sobre a espada.
A espada é ordenada por Deus fora da perfeição de Cristo. Ela castiga e mata os ímpios, e guarda e protege os bons. Sob a Lei, a espada foi ordenada para o castigo e a morte dos ímpios, a mesma (espada) está ordenada (agora) para ser utilizada pelos magistrados deste mundo.
Na perfeição de Cristo, no entanto, somente o banimento é usado para a advertência e a exclusão daquele que pecou, sem mortificar a carne — simplesmente a advertência e a ordem de não pecar mais.
Agora, muitos que não reconhecem (isto como sendo) a vontade de Deus perguntarão se o cristão pode ou não pode utilizar a espada contra os ímpios para a defesa e proteção dos justos, ou por causa do amor.
Nossa resposta unânime é como segue: Cristo nos ensina e ordena que aprendamos dele, pois ele é manso e humilde de coração e encontraremos descanso para as nossas almas. Também Cristo disse à mulher pagã que foi flagrada em adultério, não que devesse ser apedrejada conforme a lei de seu Pai (e no entanto ele diz, Como o Pai me ordenou, assim eu faço), mas com misericórdia e perdão a advertiu que não pecasse mais. Tal (atitude) devemos aceitar completamente segundo a regra do banimento.
Segundo, será perguntado sobre a espada, se o cristão deve fazer julgamento em contendas e conflitos mundanos, do tipo como os incrédulos têm entre si. Cristo não queria julgar entre irmão e irmão no caso de uma herança, mas se recusou a fazer isso. Portanto, devemos fazer o mesmo.
Terceiro, será perguntado quanto à espada, [o cristão] pode ser magistrado se for escolhido para isso? A resposta é como segue: Eles quiseram tornar Cristo [seu] rei, mas ele fugiu e não entendeu isto como sendo a vontade do seu Pai. Assim, nós devemos fazer como ele fez, e segui-lo, e assim não andaremos em trevas. Pois ele mesmo diz que quem quiser vir após mim, tome sua cruz e siga-me. Também, ele mesmo proíbe a (utilização de) força da espada, dizendo, Os príncipes deste mundo dominam sobre eles, etc., mas não será assim com vocês. Paulo também diz que os que Deus dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, etc. Também Pedro diz que, Cristo padeceu por nós (não nos dominou) e nos deixou exemplo para que sigamos em suas pisadas.
Finalmente observa-se que não é apropriado que o cristão sirva de magistrado por causa destes detalhes. O magistrado do governo age segundo a carne, mas o cristão segundo o Espírito; suas casas e moradias permanecem neste mundo, mas as dos cristãos estão no céu; sua cidadania está no mundo, mas a cidadania dos cristãos está no céu; as armas de seus conflitos e guerra são carnais e contra a carne somente, mas as armas dos cristãos são espirituais, contra as fortificações do diabo. Os mundanos estão armados com aço e ferro, mas os cristãos estão armados com a armadura de Deus, com verdade, justiça, paz, fé, salvação e a Palavra de Deus. Resumindo, como a mente de Deus para conosco, assim será a mente dos membros do corpo de Cristo através dele em todas as coisas, para que não haja divisões no corpo que o possam destruir. Pois todo reino dividido contra si será destruído. Agora sendo que Cristo é tudo que foi escrito a seu respeito, seus membros precisam ser a mesma coisa, para que seu corpo possa permanecer inteiro e unido para assim progredir e ser edificado.