Declaração de Fé da Fraternidade Mundial

Lei e ética

CAPÍTULO 11

LEI E ÉTICA

1. A lei natural

A lei de Deus é a expressão do seu amor e revela as suas exigências de justiça para a raça humana. Foi escrita no coração dos seres humanos na criação e, apesar da queda no pecado, os seres humanos, mediante a própria consciência, ainda têm certo conhecimento de suas exigências. No Éden, Deus também revelou sua vontade aos seres humanos de modo verbal na ordem para que não comessem da árvore do conhecimento do bem e do mal.

2. A lei de Moisés

A lei mosaica continha elementos cerimoniais que prefiguravam a pessoa e a obra de Cristo e a vida de sua igreja, os quais estão agora plenamente cumpridos. A lei também continha elementos jurídicos que moldavam a vida civil de Israel e fornecia princípios de justiça que devem ser refletidos na vida e nas leis das nações. Os elementos morais da lei continuam a fornecer o modelo de uma vida piedosa. A lei de Deus mostra aos pecadores o seu pecado e aponta-lhes Cristo como único Salvador. A lei, além disso, provê uma medida de restrição da expressão do pecado na sociedade. Serve também de guia para a vida dos cristãos, ao serem renovados à imagem de Cristo, revelando tanto o pecado que se deve odiar como a retidão que se deve buscar com fervor.

3. Cristo como o cumprimento da lei

Cristo cumpriu as exigências da lei, fazendo-se maldição em favor do seu povo escolhido. Aqueles que foram trazidos à fé em Cristo expressam seu amor pelo Senhor na obediência aos seus mandamentos segundo a capacitação do Espírito Santo.

4. Ética matrimonial e sexual

O casamento como monogamia heterossexual foi instituído por Deus, com o marido e a mulher deixando suas próprias famílias e unindo-se um ao outro num relacionamento para toda a vida. Os desejos sexuais devem ser satisfeitos dentro dessa união, e os filhos nascidos nela devem ser cuidados e nutridos no conhecimento e na prática cristãs. Em razão da pecaminosidade humana, ocorrem desvios desse padrão. A Bíblia desautoriza os relacionamentos sexuais fora dos laços do casamento, bem como as uniões de mesmo sexo. A dissolução do casamento pelo divórcio é permita em caso de adultério ou se os incrédulos abandonarem irreversivelmente seus cônjuges cristãos. O homem é descrito na Escritura como o “cabeça” da mulher, assim como Cristo é o “cabeça” do homem e Deus o “cabeça” de Cristo. A autoridade na família e na igreja é demonstrada amando-as como Cristo amou a igreja.

5. Planejamento familiar

O planejamento familiar é aceitável, embora a contracepção por meios como a ingestão de pílula após a concepção ou pelo aborto do feto é realmente a destruição de uma nova vida. Quanto aos casais casados que enfrentam dificuldade para conceberem, a fertilização in vitro (FIV) é uma opção possível, embora o uso de doadores de sêmen ou de mães de aluguel não o seja, pois essas práticas, embora medicamente viáveis, intrometem-se na relação conjugal. Experiências com embriões humanos é destruição de vida humana, bem como experiências como humanos adultos que possam resultar em doença, incapacitação ou mesmo em morte. Embora a clonagem de humanos (“transferência de núcleos de células somáticas”) seja tecnologicamente possível, nem a “clonagem reprodutiva” nem a “clonagem terapêutica” se ajustam ao modelo bíblico no qual o sexo e a procriação fazem parte da relação pactual do casamento. As descobertas científicas humanas, embora intrinsecamente boas, podem ser usadas em desafio à ordem moral de Deus para o seu mundo. A vida e a capacidade de gerar filhos têm de ser vistas como dons de Deus, os quais são soberanamente concedidos.

6. A prolongação da vida

O corpo humano está sujeito a várias doenças e a medicina moderna tem a capacidade de socorrê-lo com os tratamentos, as operações e as drogas medicinais apropriadas. Os transplantes de órgãos são extensões legítimas dessas intervenções médicas para curar doenças ou prolongar a vida.

7. A terminação da vida

Da mesma maneira que a criação de uma nova pessoa é ato de Deus, assim também é ele quem determina o fim da vida de uma pessoa. Tanto a origem como o término da vida estão sob seu controle soberano. Conquanto as drogas possam ser usadas para aliviar a dor, não devem contudo ser usadas para pôr termo à vida humana, nem devem ter o propósito de ser usadas para causar prazer individual nem para induzir a estados extrassensoriais. Embora a tecnologia moderna permita que alguém seja mantido vivo artificialmente, mesmo quando não há evidência de atividade cerebral, nesse caso, desligar tais equipamentos não é errado.