Declaração de Fé da Fraternidade Mundial

Escatologia

CAPÍTULO 12

ESCATOLOGIA

1. O plano eterno de Deus

Desde o exato princípio do tempo havia uma promessa de completude no final do período probatório de Adão, o descanso do Sábado de Deus, e a promessa de vida eterna procedente da árvore da vida. Tudo isso antecipava a intenção de Deus de aperfeiçoar aquilo que ele tinha feito muito bom. Paulo via a ressurreição (ou recriação) do último Adão como o cumprimento da criação do primeiro Adão antes da Queda. A história da redenção é consequência dos propósitos salvadores de Deus e culminou na vida e morte do Salvador, na conquista da salvação para as nações e na recriação escatológica do céu e da terra. No tempo presente, aqueles que estão unidos a Cristo já sentiram o poder do mundo porvir pelo Espírito que vive neles. Mesmo que provem a morte, já têm uma ideia da ressurreição futura.

2. O estado de morte

Imediatamente após a morte, as almas dos seres humanos voltam para Deus, ao passo que seus corpos são destruídos. Eles não caem num estado de sono. As almas dos salvos entram num estado de perfeita santidade e alegria na presença de Deus e reinam com Cristo, enquanto esperam a ressurreição. Essa felicidade não é impedida pelas suas lembranças da vida na terra, uma vez que agora consideram todas as coisas à luz da perfeita vontade e do plano de Deus. Elas não têm nenhum poder para interceder pelos vivos nem se tornam mediadoras entre eles e Deus. As almas dos perdidos não são destruídas após a morte, mas entram num estado de sofrimentos e de trevas, lançadas fora da presença de Deus, enquanto aguardam o dia do juízo. Após a morte, nem as almas dos salvos nem as dos perdidos podem retornar à terra dos vivos. Todas as experiências atribuídas à ação de almas desencarnadas têm de ser imputadas ou à imaginação humana ou à ação de demônios.

3. A segunda vinda de Cristo

A ressurreição de Cristo, seguida do envio do Espírito Santo, inaugurou uma nova era, que a Escritura denomina de últimos dias. O cristão neste tempo presente vive na realidade “semiescatológica” do “já”, da obra consumada por Cristo, e do “ainda não”, da consumação futura. Um dia Cristo voltará a este mundo de maneira visível, no corpo glorioso da sua ressurreição, de maneira que todo o mundo o verá. Ele virá em poder, com os santos e seus anjos, para julgar todos os seres humanos e concluir o estabelecimento do reino de Deus. As Escrituras nos exortam vigorosamente a estar prontos para a vinda de Cristo; no entanto, não nos dão um calendário nem sinais de quando poderá ser. A igreja é encorajada a orar pela volta de Cristo e a apressá-la pela pregação do evangelho a todo o mundo.

4. A ressurreição dos mortos

Os mortos que pertencem a Cristo serão ressurretos pelo seu poder, com corpo semelhante ao

dele e apropriado para o estado eterno de comunhão com Deus e gozo perpétuo. Quanto aos perdidos, eles também serão ressuscitados, mas para o juízo e o castigo eterno. Esse destino deveria nos fazer tremer e temer e nos impulsionar a pregar o evangelho da graça salvadora de Deus a todas as nações. A identidade pessoal tanto dos salvos como dos perdidos será a mesma que tinham na terra, mas seus corpos serão transformados em suas substâncias e propriedades.

5. O juízo final

Cristo retornará a este mundo como seu juiz, pois é o Filho do Homem e o Rei que reina sobre ele eternamente. Ele julgará os vivos e os mortos e não mostrará nenhum favoritismo nem parcialidade. Os eleitos serão declarados justificados por conta da morte e ressurreição de Cristo em favor deles, e serão convidados a entrar no reino eternal. Os ímpios e réprobos serão condenados justamente por causa de seus pecados e iniquidades e lançados fora da sua presença, juntamente com Satanás e os demônios. Enquanto isso não ocorre, os cristãos devem apoiar todos os esforços legítimos para trazer justiça a este mundo, sabendo que a justiça plena e perfeita será cumprida no fim dos tempos. Quanto às recompensas que Cristo prometeu ao seu povo, as Escrituras dizem pouco, mas o suficiente para nos dar motivação adicional para a obediência e fidelidade.

6. O milênio

O intervalo entre a exaltação de Cristo e a sua segunda vinda, ou seja, o tempo presente em que as boas novas do evangelho e suas bênçãos são dadas a conhecer às nações, tem sido reconhecido pela maioria das igrejas como o milênio referido nas Escrituras. Alguns, entretanto, apegam-se ao período literal de mil anos de governo de Cristo sobre a terra, após a vinda de Cristo. O tempo presente sofre ainda os efeitos do pecado e rebelião humanos e o poder de Satanás. Manifestações do mal ocorrerão no mundo, juntamente com expressões do reino de Cristo, até que ele volte em glória.

7. A nova criação

Após a volta de Cristo, Deus recriará o universo físico, e seu povo ressurreto, investido de imortalidade e perfeição, viverá sob o governo de Cristo neste novo céu e nova terra para sempre.

8. Interpretações diferentes de questões escatológicas

Os cristãos concordam acerca dos eventos principais que constituem as últimas coisas, mas nem sempre a respeito de sua consequência e natureza. As últimas coisas devem ser discutidas com humildade, lembrando-nos que foi somente quase sempre depois que as profecias se cumpriram que o povo de Deus as entendeu.