IV. A OBRA DA SALVAÇÃO
16. A morte de Cristo
Nós cremos que Deus, ao enviar seu Filho ao mundo, quis mostrar seu amor e sua inestimável bondade para conosco ao conduzi-lo à morte e ao ressuscitá-lo, para cumprir toda justiça e para nos adquirir a vida celeste.
Jo 3.16; 15.13; 1 Jo 4.9; Rm 4.25; 1 Tm 1.14,15.
17. Nossa reconciliação
Nós cremos que, pelo sacrifício único que o Senhor Jesus ofereceu sobre a cruz, somos reconciliados com Deus, a fim de sermos tomados por justos diante dEle e considerados como tais. Nós não podemos, com efeito, lhes ser agradáveis e participar de sua adoção, a menos que Ele nos perdoe os erros e os enterre. Assim, nós protestamos que Jesus Cristo é nossa integral e perfeita purificação, que em sua morte nós temos uma total satisfação para quitar nossos crimes e iniqüidades, das quais somos culpados e não podemos ser libertados exceto por esse meio.
2 Co 5.19; Ef 5.2; He 5.7-9; 9.14; 10.10,12,14; 1 Tm 1.15; 1 Pe 2.24-25; Ef 5.26; Tt 3.5; He 9.14; 1 Pe 1.18,19; 1 Jo 1.7; Rm 3.26.
18. Nosso perdão gratuito
Nós cremos que toda nossa justiça está fundamentada sobre a remissão de nossos pecados e que nossa única alegria se encontra nesse perdão, como disse Davi. Por causa disso, nós rejeitamos todos os outros meios pelos quais poderíamos pensar em nos justificar diante de Deus e, sem nos atribuir nenhuma virtude ou mérito, nós possuímos unicamente a obediência de Jesus Cristo, a qual nos foi atribuída para cobrir todos os nossos pecados, como também para nos fazer achar graça e favor diante de Deus.
Nossa paz
De fato, nós cremos que nos afastando pouco que seja desse fundamento – a obediência de Jesus Cristo – nós não poderemos achar em outro lugar nenhum descanso, mas que nós seriamos sempre atormentados pela insegurança porque, considerados em nós mesmos, nós somos dignos de ser odiados por Deus, e que não estaremos jamais em paz com Deus até que sejamos firmemente convencidos de que somos amados em Jesus Cristo.
Sl 32.1,2; Rm 4.7,8; Rm 3.19; Rm 5.19; 1 Tm 2.5; 1 Jo 2.1,2; Rm 1.16; At 4.12.
19. A oração
Nós cremos que é por esse meio que temos a liberdade e o privilégio de invocar a Deus, com plena confiança que Ele se mostrará como nosso Pai. Porque nós não teríamos o menor acesso ao Pai, se não fôssemos introduzidos diante dEle por este Mediador. Para sermos atendidos em seu Nome, convém receber nossa vida de Jesus Cristo, como de nosso Cabeça.
Rm 5.1; 8.15; Gl 4.6; Ef 3.12; Jo 15.16; Rm 5.2; Ef 2.13-15; 1 Tm 2.5; He 4.14.
20. A justificação pela fé
Nós cremos que Deus nos faz participar desta justiça (art.18) pela fé somente, porque ele disse que Jesus Cristo sofreu para obter nossa salvação, para que todo aquele que nEle crê não pereça. Nós cremos que participamos da justiça de Jesus Cristo, porque as promessas de vida que nos são dadas nEle, são adaptadas a nossa vida e sentimos o efeito quando as aceitamos, porque somos convencidos – a boca de Deus mesmo nos dando formal segurança – que nós não seremos frustrados no que elas prometem. Assim, a justiça que obtemos pela fé depende das promessas graciosas pelas quais Deus nos declara e nos atesta que nos ama.
Jo 3.16; Rm 3.24,25,27,28,30; 1.16,17; 4.3; 9.30-32; 11.6; Gl 2.1621; 3.9,10,18,24; 5.4; Fl 3.9; 2 Tm 1.9; Tt 3.5,6; He 11.7; At 10.43; Jo 17.23-26.
21. O dom da fé
Nós cremos que recebemos a luz da fé pela graça secreta do Espírito Santo, de tal maneira que ela é um dom gratuito e pessoal que Deus dispensa àqueles a quem Ele quer. Os fiéis não têm, portanto, de que se vangloriar; o fato de ter sido preferido aos outros lhes obrigando muito mais.
Nós cremos também que a fé não é dada aos eleitos somente de maneira temporária, para introduzi-los no bom caminho, mas para lhes fazer perseverar até o fim de suas vidas. Porque o início desta obra de graça incumbe a Deus, é também dEle a prerrogativa de termina-la.
Ef 1.17,18; 1 Ts 1.5; 2 Pe 1.3,4; Rm 9.16,18,24,25; 1 Co 4.7; Ef 2.8; 1 Co 1.8,9; Fl 1.6; 2.13.
22. Nossa regeneração
Sendo servos do pecado pela nossa natureza corrompida, nós cremos que é por meio desta fé que somos regenerados, a fim de vivermos em novidade de vida. Estando naturalmente escravizados ao pecado. Ora, nós recebemos pela fé, a graça de vivermos de maneira santa e no poder de Deus, recebendo a promessa que nos é dada pelo Evangelho, a saber, que Deus nos dará seu Espírito Santo.
As boas obras
Assim, a fé somente, não esfria em nosso coração o desejo de viver bem e de maneirasanta, mas ao contrário ela o engendra, excita e produz necessariamente as boas obras. Por fim, bem que Deus, para completar nossa salvação, nos regenera e nos torna capazes de fazer o bem, nós confessamos, entretanto, que as boas obras que fazemos sob a condução de seu Espírito não são levadas em conta para nos justificar ou para merecer de Deus que ele nos tenha como seus filhos, porque seriamos sempre abalados pela dúvida e inquietação, se nossas consciências não se apoiassem sobre a satisfação pela qual Jesus Cristo nos adquiriu.
Tt 3.5; 1 Pe 1.3; Rm 6.17-20; Cl 2.13; 3.10; Gl 5.6,22; 1 Jo 2.3,4; 2 Pe 1.5-8; Dt 30.6;
Jo 3.5; Lc 17.10; Sl 6.2; Rm 3.19,20; 4.3-5; Rm 5.1,2.
23. O uso da Lei e dos Profetas
Nós cremos que na vinda de Jesus Cristo todas as figuras e representações da Lei terminaram. Entretanto, ainda que as cerimônias do Antigo Testamento não estejam mais em uso, nós cremos que encontramos na pessoa de Cristo – em quem todas as coisas foram cumpridas – a substância e a realidade do que elas representavam e significavam. Mais ainda, cremos que é preciso da ajuda da Lei e dos Profetas tanto para regrar nossa vida como para sermos confirmados nas promessas do Evangelho.
Rm 10.4; Gl 3 e 4; Cl 2.17; Jo 1.17; Gl 4.3,9; 2 Pe 1.19; Lc 1.70; 2 Tm 3.16; 2 Pe 3.2.
24. Rejeição de falsas doutrinas
Porque Jesus Cristo nos foi dado como único Advogado e nos deu ordem de nos dirigirmos diretamente à seu Pai em seu Nome, e posto que nos é permitido orar apenas conforme a maneira que Deus nos prescreveu em sua Palavra:
Nós cremos que tudo o que os homens têm inventado quanto à intercessão dos santos, não passa de abuso e artimanha de Satanás para lhes desviar da forma correta de orar. Nós rejeitamos também, todos os outros meios que os homens presumem ter para se apegar a Deus, porque eles tiram o crédito do sacrifício da morte e da paixão de Jesus Cristo.
Enfim, nós consideramos o purgatório como um erro proveniente desta mesma fonte, de onde também provêm os votos monásticos, as peregrinações, a proibição do casamento e de consumir certos alimentos, a observação cerimoniosa dos dias, a confissão auricular, as indulgências e todas as coisas como essas, através das quais se pensa merecer a graça e a salvação. Todas essas coisas, nós rejeitamos não somente por causa da idéia mentirosa de mérito nelas contidas, mas também porque elas são invenções humanas que impõem um jugo às nossas consciências.
1 Jo 2.1,2; 1 Tm 2.5; At 4.12; Jo 16.23,24; Mt 6.9 sgts.; Lc 11.2 sgts.; At 10.25,26; 14.15; Ap 19.10; 22.8,9; Mt 15.11; 6.16-18; At 10.14,15; Rm 14.2; Gl 4.9,10; Cl 2.18- 23; 1 Tm 4.2-5.