Declaração de Fé da Fraternidade Mundial

As escrituras sagradas

CAPÍTULO 7

AS ESCRITURAS SAGRADAS

As Escrituras são inspiradas por Deus, sendo escritas quando os homens falavam da parte de Deus, quando eram conduzidos pelo Espírito Santo. As Escrituras são a Palavra de Deus e são absolutamente confiáveis. Do modo como foram dadas originalmente não têm erro nenhum em tudo quanto afirmam, isso é uma doutrina denominada de “inerrância bíblica” por muitos teólogos Reformados. Deus superintendeu a escrita delas de sorte que são precisamente o que ele pretendia que fossem. Ao escolher usar seres humanos, Deus não neutralizou a humanidade deles nem lhes ditou as Escrituras. Elas, portanto, exprimem a história pessoal e o estilo literário de cada autor e as características do período em que foram escritas, ao mesmo tempo que continuam a ser em todos os aspectos a Palavra do próprio Deus.

2. As Escrituras são reconhecidas mediante a obra de Deus, o Espírito Santo

As Escrituras apresentam-se a nós com muitas qualidades excelentes e louváveis, mas, em definitivo, nossa persuasão e segurança plenas da sua verdade infalível e autoridade divina procedem do Espírito Santo que, pela Palavra e com a Palavra, testemunha em nosso coração. É ao crente habitado pelo Espírito Santo que as Escrituras manifestam a sua autenticidade como Palavra de Deus. A igreja cristã recebeu a Bíblia hebraica e o Novo Testamento grego dessa maneira e foi capacitada para reconhecê-los como seu cânon autoritativo. A autoridade das Escrituras não depende da igreja nem de nenhuma outra fonte, senão o próprio Deus.

3. As Escrituras são compreendidas mediante a operação de Deus, o Espírito Santo

As Escrituras têm uma clareza fundamental, mas somente o crente cristão pode receber e entender seu sentido e significado espirituais, por ter acesso à mente de Cristo. A queda da humanidade em pecado afetou tanto a mente como a vontade e as emoções. A cegueira espiritual na qual os seres humanos incorreram impossibilitou-os de entenderem as coisas de Deus sem a obra do Espírito Santo. Quando os seres humanos são eficazmente chamados e regenerados, o Espírito Santo passa a abrir as Escrituras ao seu entendimento. Em sua sabedoria, o Espírito Santo revela-nos o verdadeiro significado da revelação de Deus.

4. As Escrituras são aplicadas por Deus, o Espírito Santo

Deus traz para si homens e mulheres pela pregação da sua Palavra. O Espírito Santo usa a pregação, o ensino e o estudo das Escrituras para nos tornar sábios para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus e para nos dar a mente dele. Seja pregada ou lida, as Escrituras são proveitosas para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a educação na justiça, para que sejamos habilitados para toda boa obra e manifestemos um estilo de vida que honre a Deus. Assim, pois, as Escrituras fornecem o fundamento, a confirmação e a norma da nossa fé.

5. As pressuposições que regem a interpretação da Escritura

A Escritura Sagrada é a Palavra de Deus e, portanto, não pode contradizer a si mesma. Nossa leitura, interpretação, entendimento e aplicação dela são influenciados em vários graus e níveis pelas nossas convicções prévias ou pressuposições acerca de Deus e da Bíblia. A fim de entendê-la corretamente, é necessário estar conscientes de nossas pressuposições e examiná-las à luz do texto bíblico, para que possamos reformá-las e levá-las à concordância mais íntima com o sentido do texto em si. Uma vez que as Escrituras reivindicam origem e inspiração divinas, somente os métodos de interpretação que levam a sério tal reivindicação podem chegar ao seu sentido verdadeiro.

6. A clareza da Escritura

A necessidade do estudo erudito da Bíblia em suas línguas originais não solapa a clareza da autoridade divina nem a fidedignidade da Escritura. As verdades necessárias à salvação são expressas com tanta clareza que os leitores, tanto cultos quanto incultos, podem e devem entendê-la. A mensagem da Escritura deve ser exposta à luz das filosofias e opiniões que desafiam e se opõem às suas pressuposições. Ao se defender a cosmovisão bíblica de tais oponentes, a clareza da Escrituras é alcançada, não só pela comparação cuidadosa de um texto bíblico com outro, mas também pela investigação do significado de seu oposto.

7. Os métodos apropriados de interpretação

A Bíblia é a Palavra de Deus e por isso deve ser lida em humilde submissão e oração pela iluminação do Espírito Santo. Visto que foi escrita em linguagens humanas dentro de contextos culturais, sociais e temporais, seu significado deve ser buscado pelo uso de regras gerais de interpretação e pelo auxílio dos campos relacionados, tais como a arqueologia, a história, a crítica textual e o estudo das línguas originais. Todos esses métodos devem levar em consideração sua origem divina, infalibilidade e caráter humano.

8. O significado do texto bíblico

O texto bíblico pode ter muitas aplicações práticas e significações diferentes, mas o seu significado primário é normalmente determinado pelo uso criterioso de princípios históricos, gramaticais e históricos redentores já esboçados no parágrafo precedente. Interpretações alegóricas, espirituais e figurativas não têm autoridade, a menos que sejam especificamente aprovadas pelo próprio texto.

9. A universalidade da verdade e suas aplicações

A verdade de Deus revelada na Escritura é universal, eterna e relevante para todas as culturas, épocas e povos. Nada obstante, pode haver várias e diferentes aplicações dessa verdade. Ao contextualizar a Palavra de Deus, a igreja deve distinguir entre os princípios bíblicos, que são as manifestações eternas e universais da verdade de Deus, e as implicações práticas desses princípios, que podem variar em contextos diferentes. A igreja deve sempre se certificar que suas aplicações sejam extensões legítimas e apropriadas dos princípios fundamentais e imutáveis.

10. O padrão normativo da autorrevelação de Deus em tempos pós-bíblicos

Uma vez que o cânon do Novo Testamento está finalizado, o padrão normativo tem sido Deus falar conosco nas, e pelas, Sagradas Escrituras com a iluminação do Espírito Santo, o qual habita em nosso coração e nos revela tanto o Pai como o Filho. Os que ouvem a voz do Espírito recebem a herança que nos foi prometida no Filho, e com o seu auxílio cumprem a vontade do Pai em suas vidas. É para nos ensinar o que isso significa, e para nos guiar na medida em que buscamos pôr em prática a vontade de Deus, que o Espírito Santo nos deu textos escritos, para nos informar, desafiar e animar ao longo do caminho. Em acréscimo ao Antigo Testamento, esses textos são a revelação dada aos seguidores de Cristo, pela ou com a aprovação dos doze discípulos, que o viram depois que ressuscitou dos mortos e que foram designados por ele para liderar e instruir a igreja. Os textos foram colecionados pelos primeiros cristãos, que os reconheciam como portadores da plena autoridade do próprio Deus, e foram agrupados como o Novo Testamento. Nenhum mestre ou igreja cristã tem o direito de insistir em crenças que não estejam contidas na Escritura, nem podem interpretar nenhuma delas de maneira que contradiga aquilo que Deus revelou de si mesmo em outra parte da Escritura.